Vídeo mostra agricultor encontrando possível poço de petróleo ao perfurar em busca de água
Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que o agricul...
Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que o agricultor Sidrônio Moreira comemora ao ver um líquido emergir da perfuração de um poço em sua propriedade no município de Tabuleiro do Norte (CE). O homem celebrou pensando se tratar de água, no entanto, semanas mais tarde a família descobriu que o líquido pode ser petróleo. (Veja no vídeo acima) A possível descoberta de petróleo está sendo investigada pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE). Testes laboratoriais apontaram que a amostra do líquido encontrada tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, porém, só pode ser dada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp A cena foi registrada em novembro de 2024, na localidade de Sítio Santo Estevão, na zona rural do município, enquanto os agricultores furavam um poço em busca de água para abastecimento de animais da propriedade. Do poço, porém, a despeito do jorro inicial, não saiu água. A descoberta de que poderia ser petróleo só veio a ocorrer semanas depois. 📍Localizada a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. "Quando eles estavam perfurando, já estavam quase a 40 metros, depois de 30 metros, saiu um líquido, e aí no vídeo meu pai até comemora porque ele pensava que era água. E acabou que depois que o perfurador parou, não saiu nada [de água]", relatou ao g1 Saullo Moreira, filho de Sidrônio. Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo por acidente ao perfurar solo em Tabuleiro do Norte (CE) Reprodução Para pagar a perfuração, Sidrônio usou parte das suas economias e ainda precisou pegar um empréstimo. Após a frustração inicial, a família chegou a furar um segundo poço, mais raso, porém também não encontrou água. "Tem poços na região que são de 30 metros, já dá água, e a água que a gente fala nem é água de consumo mesmo, é água pros próprios animais. E aí a gente cavou outro poço, só que o outro poço é bem mais raso, é 20 metros no máximo, e aí não deu também. E aí a gente acabou que isolando [o poço], porque como não tava dando, a gente tava acabando o nosso recurso", relatou Saullo. Por insistência do irmão de Saullo, semanas depois a família voltou a mexer no primeiro poço, ainda na esperança de encontrar água. Em vez disso, foi encontrado um líquido viscoso, escuro, de odor característico semelhante ao de óleo automotivo. IFCE investiga possível achado de petróleo em Tabuleiro do Norte (CE) Marcelo Andrade/IFCE Após encontrar a substância, a família do agricultor Sidrônio Moreira contatou o IFCE relatando a descoberta. A partir daí, teve início um périplo laboratorial que apontou que o líquido tem as mesmas características do petróleo. Apesar disso, a confirmação oficial de que a substância é petróleo só pode ser feita por um laboratório credenciado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que foi contatada pela família em julho de 2025, mas não respondeu. O g1 procurou a ANP para saber se o órgão recebeu a notificação e por que não respondeu. A reportagem aguarda resposta. Enquanto isso, a família de Sidrônio vive na incerteza. A necessidade de água continua premente - muitas vezes, eles precisam comprar água de carro-pipa para abastecer a propriedade. Ainda assim, a descoberta do óleo e os custos da perfuração dificultam a abertura de um terceiro poço. A família foi alertada, por exemplo, que se um poço fosse perfurado incorretamente, o óleo poderia vazar para o lençol freático e contaminar a água da região. Por isso, eles aguardam resposta da ANP para saber como proceder. "O que a gente queria era água, né? O que a gente queria era solucionar o problema da água lá, até porque meu pai já é idoso, gosta de criar esses animais. Hoje, eu queria que, se fosse petróleo, a gente resolvesse o mais rápido possível pra ele ter essa forma de renda extra e aí sim, se tiver uma forma de renda extra, ele conseguir, de alguma forma, levar a água, nem que seja mais próximo. Hoje eles compram carro-pipa quando falta [água] por muito tempo. E aí, se ficar, se tiver algum recurso, eles podem comprar com mais frequência", disse Saullo. IFCE investiga possível descoberta de petróleo durante escavação de poço de água no Ceará Proximidade de área com petróleo O engenheiro químico Adriano Lima, agente de inovação do IFCE de Tabuleiro do Norte para o Vale do Jaguaribe, rcebeu em 2025 da família uma amostra do material encontrado na perfuração do poço. Adriano, posteriormente, recorreu ao Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), onde realizou análises físico-químicas do líquido. “Conseguimos perceber que realmente se tratava de uma mistura de hidrocarbonetos [tipo de compostos químicos dos quais o petróleo faz parte] muito característica, com propriedades muito similares ao petróleo da região onshore [em terra] da Bacia Potiguar”, disse o engenheiro. ➡️ A Bacia Potiguar é uma área localizada entre o Rio Grande do Norte e o Ceará, compreendendo também território no continente (onshore) quanto no mar (offshore). Em diversos pontos da bacia, há petróleo. Para fins legais, a bacia é dividida em "blocos", e a exploração de petróleo é liberada em diversos blocos mediante leilão para empresas exploradoras de petróleo. Substância extraída em Tabuleiro do Norte (CE) foi levada para estudo em laboratório no Rio Grande do Norte Divulgação As análises, portanto, confirmaram que o líquido encontrado em Tabuleiro do Norte é um tipo de hidrocarboneto que, em termos de densidade, viscosidade, cor e cheiro, se assemelha ao petróleo encontrado nas redondezas. Apesar disso, somente após análise de um laboratório credenciado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) será possível afirmar que substância realmente é petróleo. O território do município de Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, no entanto, a localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros de distância do bloco de exploração mais próximo, o que, somado ao resultado da pesquisa do IFCE, sugere a possibilidade de realmente haver petróleo na região. O pesquisador, no entanto, alertou que a confirmação de que a substância é um hidrocarboneto não configura confirmação oficial de que há uma jazida de petróleo na propriedade nem que é a exploração econômica é viável. Ou seja, não se sabe qual a quantidade, a qualidade e a viabilidade. Infográfico: Possível descoberta de petróleo registrada em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. Arte/g1 Longo processo Após encontrar o líquido escuro, o IFCE orientou a família quanto aos procedimentos cabíveis, especialmente sobre a notificação ao órgão oficial responsável, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A ANP é o responsável, no Brasil, por regular e fiscalizar todas as etapas da exploração de petróleo no Brasil, desde a descoberta até o início do processo de extração. Nestes casos, após a descoberta de uma possível jazida, é feita uma notificação ao órgão, que pode iniciar estudos para averiguar se, de fato, há petróleo na região, em que quantidade e de qual qualidade. "Algumas regiões eles já têm muito bem mapeado. Regiões que existem estudos, especialmente os estudos geológicos, onde eles fazem análises físicas para ver o fato, como é que está o subsolo, para avaliar o tamanho do poço, do reservatório. Quando eles reúnem essas informações, informações econômicas, de impacto ambiental, eles tramitam um processo de enquadramento daquela área, como um novo bloco a ser colocado em operação", explica o engenheiro Adriano Lima. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, leilão, instalação da operação, obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. Agricultores furaram poço em busca de água e encontraram substância semelhante a petróleo, em Tabuleiro do Norte (CE) Reprodução Muitas vezes, ocorre de uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrair interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, a dificuldade de extração, o custo da instalação da operação ou mesmo a baixa qualidade do petróleo, que exigiria mais gastos no processo de refino. Portanto, mesmo com a formação de um bloco de exploração, há a possibilidade dele nunca ser arrematado para exploração. Em junho de 2025, a ANP tentou realizar pela terceira vez o leilão de blocos de exploração na Bacia Potiguar, mas nenhuma empresa apresentou propostas. "O custo de se montar uma unidade de produção numa região tem que ser equivalente ao retorno que a operação vai ter. Então, pra empresa, por exemplo, arrematar um bloco no semiárido nordestino, em cima da Chapada do Apodi, considerando os cálculos de custos ambientais, impactos ambientais, custos econômicos de operação, tem que ser proporcional ao retorno que ele vai ter daquele material que ele vai extrair. O retorno tem que estar relacionado à qualidade do óleo que ele vai extrair e à quantidade, à duração, o tempo que ele vai conseguir produzir", avalia o pesquisador. Assista aos vídeos mais do Ceará